Meteorito descoberto na Antártida pode estar ligado à origem da vida na Terra

Segundo cientistas, o Asuka 12236 possui os aminoácidos essenciais para a formação das proteínas que deram origem aos seres vivos que habitam nosso planeta

Meteorito Asuka 12236

O meteorito Asuka 12236 é mais antigo que nosso sistema solar e possui todos os aminoácidos essenciais para a formação da vida (Foto: Twitter/astrotweeps/Reprodução)

Cientistas do Centro Goddard de Viagens Espaciais, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos Estados Unidos, encontraram muitos aminoácidos extraterrestres no meteorito Asuka 12236, encontrado na Antártica em 2012 por uma expedição japonesa e belga.

De acordo com o estudo, publicado no periódico científico Meteoritics and Planetary Science no dia 20 de agosto, a concentração de aminoácidos é o dobro da observada na rocha espacial Paris, que anteriormente se pensava ser o meteorito do tipo condrito mais bem preservado.

Moléculas que originam vida

Os aminoácidos primordiais descobertos no Asuka 12236 incluem os ácidos aspártico e glutâmico, que estão entre os 20 principais para formação de milhões de proteínas responsáveis pelas “engrenagens” químicas que originaram a vida na Terra e que mantêm muitas funções essenciais nos animais.

A equipe da Nasa também descobriu que o meteorito antártico contém alguns aminoácidos voltados para a esquerda, que são específicos para a formação de toda a vida conhecida em nosso planeta.

“Meteoritos nos dizem que havia uma tendência inerente aos aminoácidos de rotação esquerda antes do início da vida; O grande mistério é por quê?”, comenta o astrobiólogo Daniel P. Glavin, um dos autores do estudo, em entrevista à agência de notícias Europa Press.

Importância dos meteoritos para a vida

O especialista lembra que quanto maior a variedade de origens, substâncias químicas e idades dos meteoritos, melhor. “As diferenças nos tipos e quantidades de aminoácidos conservados nessas rochas permitem que os cientistas criem um registro de como essas moléculas evoluíram ao longo do tempo e em quais circunstâncias, incluindo a exposição à água e ao calor dentro de seus asteroides originais”, esclarece o cientista americano.

Asuka 12236 é um candidato considerado perfeito e pode ser mais velho que nosso sistema solar, segundo acreditam os pesquisadores.

Evidências minerais sugerem que a composição química original do condrito descoberto na Antártica está muito bem preservada porque a rocha foi exposta a muito pouca água líquida ou calor, mesmo quando fazia parte de um asteroide.

“A escassez de minerais de argila é uma pista, já que são constituídos por água. Outra pista é que o Asuka 12236 tem uma grande quantidade de metal de ferro que não foi oxidado, uma indicação de que o meteorito não foi exposto ao oxigênio da água”, afirma Glavin à agência de notícias.

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