Aspirina pode piorar câncer em idosos e até matar, diz estudo

Cientistas descobriram que o uso regular de ácido acetilsalicílico em idosos com câncer levou à piora da doença e até ao falecimento

Aspirinas

Pesquisadores descobriram que o uso regular de Aspirina por idosos com câncer pode levar à piora do tumor ou mesmo à morte (Foto: Bayer/Divulgação)

Um ensaio clínico recente, liderado por cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriu que idosos com câncer que usaram Aspirina (ácido acetilsalicílico) tiveram risco aumentado de progressão da doença e de morte precoce.

No estudo, publicado no dia 11 de agosto no periódico científico Journal of National Cancer Institute, a grande maioria dos participantes não tomava Aspirina antes dos 70 anos.

“As mortes foram particularmente altas entre aqueles que receberam ácido acetilsalicílico e foram diagnosticados com cânceres avançados, sugerindo um possível efeito adverso do remédio na evolução dos tumores”, afirma Andrew Chan, da Escola de Medicina de Harvard, um dos autores da pesquisa, em entrevista para o site da instituição.

Ácido acetilsalicílico agindo de forma diferente

Segundo os cientistas, a Aspirina pode agir de forma diferente, em nível celular ou molecular, em pessoas mais velhas. Ainda assim, mais estudos são necessários para compreender melhor os efeitos do ácido acetilsalicílico.

Ensaios clínicos anteriores revelaram evidências convincentes de que a Aspirina pode reduzir o risco de desenvolver câncer, especialmente câncer colorretal, predominantemente em adultos de meia-idade. No entanto, faltam informações sobre os efeitos em idosos.

No caso do estudo recém-publicado, foram avaliados 19.114 adultos da Austrália e dos EUA com 70 anos ou mais, ou com 65 anos ou mais para participantes americanos negros e hispânicos. Todos sem doença cardiovascular, demência ou deficiência física no início do estudo.

Os participantes foram divididos em grupos, sendo que um recebeu diariamente ácido acetilsalicílico em baixa dose (100 mg) e o outro, apenas placebo, durante 4,7 anos.

Aumento no risco de morte

“Conduzimos o estudo como um exame mais detalhado do efeito da Aspirina no desenvolvimento do câncer, bem como na morte decorrente do tumor”, comenta Andrew Chan ao site da Universidade de Harvard.

De acordo com os resultados, 981 participantes que estavam tomando Aspirina e 952 que estavam tomando placebo desenvolveram câncer.

O ácido acetilsalicílico foi associado a um risco 19% maior de ser diagnosticado com câncer que se espalhou ou causou metástase e a um risco 22% maior de o tumor ser diagnosticado em estágio 4 ou avançado.

Além disso, entre os participantes que foram diagnosticados com câncer avançado, aqueles que tomaram Aspirina tiveram um risco maior de morrer durante o acompanhamento do que os que ingeriram placebo.

Não houve diferença significativa entre os grupos para desenvolvimento de câncer em geral ou para o desenvolvimento de tipos específicos de tumor.

“Embora os resultados sugiram que devemos ser cautelosos ao iniciar a terapia com Aspirina em idosos saudáveis, isso não significa que os indivíduos que já estão tomando ácido acetilsalicílico, particularmente se começaram a tomá-lo ainda jovens, devam interromper o uso”, orienta Chan.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.