Afinal, o óleo de coco é saudável

Apesar de ser um produto supostamente recomendado para dietas saudáveis, o óleo de coco é rico em gorduras saturadas e deve ser consumido com cuidado

Coco e óleo de coco

Apesar de parecer um produto saudável, o óleo de coco é rico em gordura saturada, o que pode aumentar o nível de colesterol no organismo (Foto: Pixabay)

Com certeza você já ouviu falar que o óleo de coco é uma ótima opção para quem quer ter uma dieta saudável. Porém, esse ingrediente supostamente inofensivo é rico em gordura saturada e não há comprovação de que faça bem para o coração.

O coco possui algumas qualidades que os entusiastas usam para explicar seus supostos benefícios para a saúde. Mas as evidências para apoiar essas alegações são muito escassas, diz o pesquisador Qi Sun, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em entrevista para o site da instituição.

“Se você deseja reduzir o risco de doenças cardíacas, o óleo de coco não é uma boa escolha”, alerta o cientista.

Óleo de coco e colesterol

De acordo com o pesquisador, o óleo de coco tende a aumentar o nível de colesterol bom no organismo, o HDL, mais do que outras gorduras. “Possivelmente porque o óleo de coco é rico em ácido láurico, um ácido graxo que o corpo processa de forma ligeiramente diferente do que outras gorduras saturadas”, esclarece Sun.

Ainda assim, não há evidências de que o consumo desse ingrediente possa reduzir o risco de doenças cardíacas. Isso foi comprovado por um estudo publicado em 2016 no periódico científico Nutrition Reviews.

Foram revisados 21 estudos, a maioria dos quais examinou os efeitos do óleo de coco ou produtos de coco nos níveis de colesterol. Oito foram ensaios clínicos, nos quais os voluntários consumiram diferentes tipos de gorduras, incluindo óleo de coco, manteiga e óleos vegetais insaturados (como azeite, girassol e óleo de milho) por curtos períodos de tempo.

Comparado com os óleos insaturados, o de coco aumentou os níveis de colesterol total, HDL e LDL (ruim), embora não tanto quanto a manteiga

Dieta oriental faz diferença

As pessoas que recomendam o uso do óleo de coco costumam usar como exemplo as populações nativas de países do Oriente como Índia, Sri Lanka, Filipinas e Polinésia, cujas dietas incluem grandes quantidades de coco.

Mas esquecem de dizer que suas dietas tradicionais também incluem muito mais peixe, fruta e vegetais do que nossa dieta.

Vale lembrar que o óleo de coco disponível nas lojas é rotulado como “virgem”, o que significa que a carne do coco é prensada e, em seguida, separada do óleo. Tem gosto e cheiro da fruta, ao contrário do óleo de coco refinado, branqueado e desodorizado, que é obtido da carne de coco seca.

O óleo de coco virgem contém pequenas quantidades de compostos antioxidantes, que ajudam até contra doenças cardíacas. Mas, até o momento, a prova de qualquer possível benefício está limitada a pequenos estudos em ratos e camundongos, segundo Qi Sun informa ao site da Universidade de Harvard.

Claro que não há necessidade de evitar completamente o consumo do óleo de coco se você gosta do sabor. Além disso, o leite de coco é um ingrediente-chave na culinária tailandesa e em alguns pratos indianos.

O especialista americano lembra apenas que é preciso considerar esses produtos oriundos do coco como ingredientes ocasionais e não devem ser incorporados ao dia a dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.