Mutação do novo coronavírus é mais perigosa?

De acordo com cientistas, a cepa G614 do SARS-CoV-2 apresenta maior grau de infecção, mas ainda não representa risco aumentado de morte

Coronavírus

Apesar da G614, nova cepa do coronavírus SARS-CoV-2, ser mais infecciosa que a tradicional, ela ainda não representa risco aumentado para os pacientes (Foto: Pexels)

Se não bastasse o medo causado pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), cientistas identificaram uma mutação do micro-organismo causador da Covid-19, que foi chamada de G614.

Em estudo publicado em julho na revista científica Cell, a bióloga computacional e geneticista Bette Korber, junto com colegas do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, analisaram o DNA do SARS-CoV-2 proveniente de cerca de mil pacientes do Reino Unido.

Os resultados mostram que os pacientes infectados com a variante G614 tinham uma carga viral mais alta em comparação com o patógeno tradicional. Em culturas de células humanas, os cientistas americanos descobriram que a variante G614 exibiu grau de infecção aumentado.

Mutação se espalha mais rápido?

Outro estudo publicado na Cell pelo Centro de Colaboração da Organização Mundial de Saúde (OMS) na China demonstrou o mesmo. “A cepa G614 poderia infectar efetivamente as quatro linhagens celulares testadas, sendo 10 vezes mais infecciosa do que a cepa Wuhan-1 original”, afirmam os autores no artigo também publicado em julho.

Ainda assim, pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale (EUA) realizaram uma revisão sistemática dos estudos e observaram que eles sugerem, mas não provam, o aumento da transmissibilidade da nova cepa do SARS-CoV-2.

Os cientistas de Yale afirmam que:

  • O aumento da disseminação viral não reflete a capacidade de transmissão. Além disso, conforme os pesquisadores, a maioria das transmissões humanas ocorre no estágio pré-sintomático, e o estudo examinou os pacientes já afetados
  • O trabalho de cultura de células não se traduz necessariamente em humanos, de acordo com os cientistas. Porque, como eles explicam, “esses ensaios não levam em conta o efeito de outras proteínas virais ou do hospedeiro e as interações bioquímicas hospedeiro-patógeno que devem ocorrer para apoiar a infecção e a transmissão”

A nova cepa do SARS-CoV-2 é mais mortal?

Apesar da pesquisa da bióloga Bette Korber verificar o aumento da carga viral em pacientes infectados com a variante G614, não houve associação significativa com a gravidade da doença.

Na opinião dos cientistas, a variante do novo coronavírus pode ser mais infecciosa, mas não mais mortal do que a tradicional, que iniciou a pandemia na cidade de Wuhan, na China.

Eles lembram que um hospedeiro morto é um “beco sem saída” para os vírus. Ou seja, faz sentido para a evolução do micro-organismo otimizar a capacidade de infecção minimizando a virulência.

É mais difícil de tratar?

Os três estudos apresentados em julho não encontraram impacto significativo da variante G614 na hospitalização dos pacientes com Covid-19.

Embora esses estudos não controlassem os tipos de tratamento em suas análises, pelo menos o estudo do Laboratório Nacional de Los Alamos detectou que a idade avançada e o sexo masculino aumentaram o risco de a doença ser mais grave.

A única preocupação dos cientistas é com as terapias que inibem a proteína viral, já vez que a variante G614 infecta as células de forma mais eficiente;

Os inibidores de infecção celular podem não funcionar tão bem, alertam os pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale.

Mas a eficácia dos remédios que não dependem da inibição da proteína viral – por exemplo, dexametasona, metilprednisolona e remdesivir – deve permanecer a mesma, segundo os especialistas americanos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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