Já ouviu falar no adoçante taumatina?

Elaborada a partir de uma fruta africana, a taumatina tem poder adoçante duas mil vezes maior do que o do açúcar

Fruta da taumatina

O adoçante taumatina é extraído da película que cobre os frutos da Thaumatococcus daniellii, planta típica da África (Foto: Wikimedia/Reprodução)

Estévia, aspartame, sucralose, xilitol, são apenas alguns exemplos de adoçantes que temos à disposição no mercado. Em breve, uma opção natural e pouco conhecida pode ganhar o gosto do público: a taumatina.

Adoçante de baixa caloria, a taumatina é uma proteína básica com sabor doce extraída dos frutos de uma planta tropical, a Thaumatococcus daniellii, encontrada nas florestas tropicais da África Ocidental, de Serra Leoa ao Zaire, Sudão e Uganda.

De acordo com a Enciclopédia de Alimentos e Saúde, publicada em 2016 pela editora científica americana Elsevier, a primeira descrição dessa planta foi realizada em meados do século XIX.

Alto poder adoçante

Algumas proteínas da família da taumatina são cerca de duas mil vezes mais potentes do que o açúcar comum (sacarose). Embora seja extremamente doce, seu sabor residual é semelhante ao do alcaçuz quando usada em grandes quantidades.

Conforme a enciclopédia, essa proteína é altamente digerível e não deixa resíduo no organismo. Consequentemente, seu consumo é seguro para todas as pessoas, incluindo grávidas e crianças.

Na África Ocidental, os frutos da Thaumatococcus são usados há anos para dar sabor a alimentos e em forma de bebidas. As sementes são envoltas numa espécie de membrana, que é a fonte da taumatina.

Uso regulamentado da taumatina

O uso comercial da taumatina começou na década de 1970, por meio da empresa britânica de alimentos Tate & Lyle.

A proteína foi aprovada como adoçante na União Europeia, no Japão, na Austrália e, no Brasil, recebeu a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2008.

Nos EUA, a agência reguladora Food & Drugs Administration (FDA) considera a taumatina é um agente aromatizante geralmente reconhecido como seguro.

Com baixo índice glicêmico (nível de açúcar no sangue), esse adoçante natural possui baixa caloria e ajuda a nutrir o organismo, ao contrário de outros produtos, como xilitol e eritritol, que são diretamente eliminados pelo organismo.

Sem toxicidade

Um estudo realizado pela Tate & Lyle em 1983 e publicado no periódico científico Food and Chemical Toxicology, avaliou o extrato proteico doce da Thaumatococcus daniellii quanto à sua toxicidade.

Ratos, cães e humanos receberam alimentos com taumatina para identificar a capacidade de produção de anticorpos anafiláticos (reação alérgica).

Como mostra a pesquisa, a taumatina foi prontamente digerida e nenhum efeito adverso resultou de sua administração contínua a ratos e cães em concentrações dietéticas de até 3% durante 13 semanas.

“Em ratos, a taumatina mostrou ser um sensibilizador fraco, comparável à albumina de ovo, quando administrada sistemicamente, mas inativa quando administrada por via oral”, afirmam os cientistas da Tate & Lyle.

Os testes em voluntários também não demonstraram qualquer sensibilização oral. “Os resultados indicam que a taumatina, quando usada como um modificador de sabor e adoçante parcial, é improvável que seja perigosa no nível de consumo previsto”, completam os pesquisadores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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