Hubble descobre porque a estrela Betelgeuse “perdeu” o brilho

Observações feitas pelo telescópio espacial mostram que a estrela da constelação de Orion foi ofuscada por uma nuvem de detritos

Escurecimento da estrela Betelgeuse

Graças às observações do telescópio Hubble, cientistas descobriram que a estrela Betelgeuse perdeu brilho devido a uma nuvem de detritos que ficou à frente de seu hemisfério sul (Foto: ESO, ESA/HUBBLE, M. KORNMESSER/Divulgação)

Graças às observações do telescópio espacial Hubble, cientistas do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, podem ter descoberto o motivo de a estrela Betelgeuse, a segunda mais brilhante da constelação de Orion, ter começado a escurecer no final de 2019 e início de 2020.

Entre outubro e novembro de 2019, o Hubble observou um material denso e aquecido saindo da atmosfera estendida da estrela a cerca de 322 mil km/h. No mês seguinte, vários telescópios terrestres observaram uma diminuição no brilho da região sul da Betelgeuse, como se algo estivesse bloqueando a luz.

Em fevereiro de 2020, a estrela havia perdido mais de dois terços de seu brilho, um escurecimento visível até mesmo a olho nu, criando um burburinho no mundo científico de que poderia estar se transformando em uma supernova.

Mas, graças aos espectros de luz ultravioleta identificados pelo telescópio lançado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos EUA em 1990, cientistas criaram uma linha do tempo para localizar a fonte do misterioso escurecimento.

Nuvem de gás ofuscando a estrela

“Com o Hubble, descobrimos uma grande quantidade de gás quente denso movendo-se para fora da atmosfera estendida de Betelgeuse. Acreditamos que esse gás resfriou a milhões de quilômetros da estrela para formar a poeira que bloqueou a luz e sua parte sul em janeiro e fevereiro”, explica Andrea Dupree, diretora associada do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, uma das autoras do estudo, citada em matéria do site da instituição.

A pesquisa, publicada no dia 13 de agosto no periódico científico The Astrophysical Journal, mostra que o material expelido era de duas a quatro vezes mais luminoso que o brilho normal da estrela.

Em março deste ano, a parte sul de Betelgeuse esmaeceu visivelmente à medida que a estrela ficava mais fraca. “Acreditamos ser possível que uma nuvem escura resultou do fluxo detectado pelo Hubble. Apenas o telescópio espacial nos dá essa evidência que levou ao escurecimento”, completa a cientista americana.

A estrela da constelação de Orion apresentou ainda uma “surpresa” para os astrofísicos: as observações do Hubble revelaram que o plasma detectado não foi ejetado dos polos, conforme previsto pelos modelos estelares.

“Os dados sugerem que o material pode ter sido expulso de qualquer parte da superfície de Betelgeuse e sua atividade não é normal”, afirma Dupree ao site do centro de astrofísica.

Ainda de acordo com o estudo recém-publicado, a estrela está perdendo massa a uma taxa 30 milhões de vezes maior que a do nosso Sol, mas só essa mudança entre 2019 e 2020 resultou em uma perda de aproximadamente duas vezes a quantidade normal.

A estrela se tornará uma supernova?

“Betelgeuse é uma estrela muito brilhante de nossa galáxia e perto do final de sua vida, provavelmente se tornará uma supernova. Quando sua luz ficou muito tênue em fevereiro de 2020, o brilho se tornou o mais fraco já registrado nos últimos 150 anos”, comenta Andrea Dupree.

Como Betelgeuse está a 725 anos-luz de distância da Terra, a luz – e o escurecimento – registrados no final de 2019 e início de 2020 devem ter ocorrido por volta do ano 1300, diz a cientista.

“Ninguém sabe como uma estrela se comporta nas semanas antes de explodir, e havia algumas previsões sinistras de que Betelgeuse estava pronta para se tornar uma supernova. As chances são, no entanto, de que não explodirá durante a nossa existência. Mas, quem sabe?”, afirma a diretora associada do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Ciência

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