Entenda como se formam as tempestades de areia, como as que atingiram o interior de SP

Fenômeno é comum em regiões quentes e secas, especialmente no norte da África, na região central da Ásia e no Oriente Médio

Tempestade de Areia em São Paulo

Ventos fortes podem carregar partículas de poeira do solo e causar tempestades como as que afetaram o interior de São Paulo (Foto: YouTube/Reprodução)

Na tarde da última quinta, dia 13 de agosto, cidades do interior de São Paulo, especialmente na fronteira com o Paraná, foram vítimas de tempestades de areia que levarem temor à população.

Nas redes sociais foi possível assistir a inúmeros vídeos de moradores que capturaram o momento em que a tormenta deixava o céu vermelho enquanto o vento forte carregava grande quantidade de poeira pelas ruas.

Assis, Cândido Mota, Ibirarema e Palmital foram alguns dos municípios mais atingidos pelo fenômeno climático que, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão ligado à ONU, ocorre quando ventos fortes levantam grandes quantidades de areia e poeira de solos secos.

Confira, abaixo, um vídeo da tempestade em Ibirarema:

Entenda a tempestade de areia

Tempestades de areia e poeira são ocorrências meteorológicas comuns em regiões áridas e semiáridas.

Como mostra a OMM, normalmente são causadas por tempestades – ou grandes mudanças da pressão atmosférica associadas a ciclones – que aumentam a velocidade do vento em uma determinada área.

“Os ventos fortes levantam grandes quantidades de areia e poeira de solos secos para a atmosfera, transportando-os a centenas ou milhares de quilômetros de distância. Cerca de 40% dos aerossóis na troposfera [camada mais baixa da atmosfera da Terra] são partículas de poeira da erosão eólica [do vento]”, esclarece a organização da ONU em texto publicado em seu site oficial.

De acordo com a OMM, as tempestades de areia são mais comuns no norte da África, no Oriente Médio, na Ásia Central e na China.

“Austrália, América do Sul e África do Sul também apresentam ocorrência do fenômeno, mas em menor quantidade. As estimativas globais de emissões de poeira variam de um a três bilhões de toneladas por ano”, diz a Organização Meteorológica Mundial.

Interação com o tempo e o clima

Aerossóis, especialmente poeiras minerais, afetam o clima, incluindo o global e o regional, segundo a OMM.

“Partículas de poeira, especialmente se revestidas por poluição, atuam como núcleos de condensação para a formação de nuvens e como agentes de gelo eficientes para a geração de nuvens frias. A capacidade das partículas de poeira de servirem como tal depende de seu tamanho, forma e composição, que por sua vez dependem da natureza dos solos originais, das emissões e dos processos de transporte”, explica a entidade.

As partículas de poeira também influenciam o crescimento de gotículas de chuva nas nuvens e a formação de cristais de gelo, afetando assim a quantidade e a localização da precipitação.

No caso das tempestades de areia do interior de São Paulo, elas antecederam a chegada da chuva.

Poeira pode afetar a saúde

A OMM alerta que a poeira transportada pelo ar apresenta riscos graves para a saúde humana.

“O tamanho das partículas de poeira é um fator determinante do perigo potencial para nossa saúde. Partículas maiores que 10 μm [micrômetros] não são respiráveis, portanto, só podem danificar órgãos externos, causando irritações na pele e nos olhos e conjuntivite. As partículas inaláveis, costumam ficar presas no nariz, boca e trato respiratório superior, podendo estar associadas a distúrbios respiratórios como asma, traqueíte, pneumonia, rinite alérgica e silicose [entupimento dos pulmões]”, esclarece o órgão da ONU.

Ainda mais grave, conforme a OMM, é que algumas doenças infecciosas podem ser transmitidas pela poeira.

“A meningite meningocócica, infecção bacteriana do tecido que envolve o cérebro e a medula espinhal, é mortal em 50% dos casos. Os surtos ocorrem em todo o mundo, mas a maior incidência é encontrada no ‘cinturão da meningite’, uma parte da África subsaariana. Esses surtos têm um forte padrão sazonal e estudos os relacionam as condições ambientais, como baixa umidade e poeira”.

A poeira também está associada à transmissão da chamada febre do vale [ou Coccidioidomicose] que ocorre no sudoeste dos Estados Unidos e no norte do México, agindo como um transportador de esporos do fungo Coccidioides, causador da doença.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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