Estudo associa uso de maconha na gravidez a autismo em crianças

Cientistas canadenses avaliaram mais de duas mil mulheres que tiveram contato com a Cannabis sativa durante a gravidez

Folha de Maconha

Segundo o estudo da Universidade de Ottawa, uso de maconha na gravidez pode aumentar risco de autismo na criança (Foto: Pixabay)

Uso de Cannabis sativa (maconha) por mulheres grávidas pode aumentar risco de as crianças nascerem com autismo, de acordo com estudo canadense realizado com 500 mil mulheres.

Os pesquisadores descobriram que quatro em cada mil crianças cujas mães usaram cannabis durante a gravidez apresentaram incidência de autismo, em comparação com 2,42 entre aquelas cujas mães não tiveram contato com a planta.

O estudo, conduzido pela Universidade de Ottawa, no Canadá, revisou dados entre 2007 e 2012, antes do uso recreativo de cannabis ser legalizado no país.

Maconha na gravidez

De acordo com o artigo, publicado no dia 10 de agosto na revista científica Nature Medicine, das 500 mil mulheres presentes nos dados avaliados, cerca de três mil relataram o uso de cannabis durante a gravidez.

O documento também relata que “a incidência de deficiência intelectual e distúrbios de aprendizagem foi maior entre os filhos de mães que usaram cannabis na gravidez”, embora diga que esta descoberta carece de mais dados estatísticos.

Vale lembrar que o Canadá legalizou o uso recreativo da maconha em 2018, mas emitiu um alerta recomendando que as mulheres grávidas ou amamentando não deviam consumi-la.

Efeitos da cannabis na gravidez

“Apesar das advertências, há evidências de que mais pessoas estão usando cannabis durante a gravidez. Isso é preocupante, porque sabemos tão pouco sobre como a cannabis afeta as mulheres grávidas e seus bebês. Os futuros pais devem se informar sobre os possíveis riscos e esperamos que estudos como o nosso possam ajudar”, afirma o obstetra Mark Walker, principal autor do estudo, citado pelo site EuroNews.

No artigo recém-publicado, os cientistas canadenses avaliaram as 2.200 mulheres que disseram ter usado cannabis durante a gravidez e nenhuma outra substância.

No entanto, o estudo não levou em consideração a quantidade, a frequência e a forma de uso da maconha, bem como em que altura da gravidez foi utilizada.

Portanto, a pesquisa da Universidade de Ottawa é uma associação, e não reflexo de causa e efeito.

“No passado, não tínhamos bons dados sobre o efeito da cannabis na gravidez. Esse é um dos maiores estudos sobre o assunto até hoje. Esperamos que nossas descobertas ajudem as mulheres e seus profissionais de saúde a tomar decisões corretas”, comenta o epidemiologista Daniel Corsi, co-autor do estudo, também citado pelo EuroNews.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.