Máscara N95 com válvula não é indicada contra a Covid-19, diz estudo

Cientistas americanos avaliaram vários tipos de coberturas faciais e a máscara N95 tradicional foi a que apresentou melhor nível de proteção

Pessoa Segurando Máscara N95

Estudo da Universidade de Duke, nos EUA, descobre que as máscaras N95, usadas em hospitais, são as melhores para proteger contra o coronavírus (Foto: Pixabay)

Pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, avaliaram a eficácia de vários tipos de máscaras e coberturas faciais contra o novo coronavírus (SARS-Cov-2), causador da Covid-19.

Foram avaliados de respiradores N95, que possuem padrão hospitalar, até bandanas. Das máscaras e outras coberturas faciais testadas, o estudo descobriu que algumas máscaras de algodão, mais acessíveis e baratas, são quase tão eficazes quanto as de nível cirúrgico.

Já alternativas populares, como polainas de pescoço feitas de material sintético podem ser piores do que não usar máscara.

“Você pode ver que a máscara está dando resultado. Há muita controvérsia e certas pessoas dizem que as máscaras não servem para nada. Mas, a resposta é que algumas não, mas a maioria funciona”, comenta o pesquisador Warren S. Warren, coautor do estudo, em entrevista para o jornal americano Washington Post.

Análise das máscaras e coberturas faciais

O estudo da Universidade de Duke, que foi publicado no dia 7 de agosto na revista científica Science Advances, usou um dispositivo que permite rastrear partículas individuais liberadas da boca quando uma pessoa está falando.

Cada cobertura facial foi testada 10 vezes. Dentro do dispositivo, as partículas transportadas pelo ar passaram por uma folha de luz criada por um laser e, ao atingir a lente de uma câmera, produziram flashes visíveis que foram gravados por um telefone celular.

“Mesmo partículas muito pequenas podem fazer esse tipo de dispersão [de luz]. Conseguimos usar a dispersão e, em seguida, rastrear partículas individuais quadro a quadro no filme, para realmente contar o número de partículas que foram emitidas”, revela Warren ao periódico.

A máscara N95, que é recomendada para quem trabalha em hospital, foi a mais eficaz, de acordo com o pesquisador americano, que acrescenta: “ela não permitia que nenhuma gota saísse”.

Segundo a pesquisa americana, máscara com válvula só protege da Covid-19 quem a está usando (Foto: Pixabay)

Piores resultados

Por outro lado, uma polaina de pescoço feita de poliéster, muito apreciada por quem pratica exercícios ao ar livre, apresentou resultado pior do que o grupo de controle sem máscara.

“Essas polainas de pescoço são extremamente comuns em muitos lugares porque são muito convenientes de usar. Mas justamente por serem tão convenientes ao não restringirem a entrada de ar, acabam não ajudando muito as pessoas”, esclarece o pesquisador.

Outros tipos de coberturas faciais que podem se enquadrar nessa categoria são bandanas e máscaras de malha, conclui o estudo.

A pesquisa da Universidade de Duke também avaliou máscara N95 com válvula de ar, que não apresentou bom resultado.

“Essas válvulas de alívio são fantásticas se o que você quer fazer é se proteger do mundo exterior, porque o ar não entra por elas”, afirma Warren S. Warren ao jornal americano. “Se o que você está tentando fazer nesta pandemia é proteger o mundo exterior de você, então essa máscara não funciona”, completa.

O cientista encoraja as pessoas a fazer um teste simples nas coberturas faciais: “Se você pode ver através dela quando acende a luz e pode soprar facilmente pelo tecido, provavelmente não está protegendo ninguém”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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