Descoberto tratamento para a Doença da Vaca Louca

Pesquisadores descobriram como reduzir a proliferação da proteína de príon, responsável pelos danos no cérebro de pacientes com a Doença de Creutzfeldt-Jakob

Cérebro humano

Estudo mostra que a redução das proteínas de príon no cérebro pode aumentar a expectativa de vida de pacientes com a Doença da Vaca Louca (Foto: Pixabay)

Estudo publicado nesta segunda, dia 10 de agosto, na revista científica Nucleic Acids Research, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere uma possível estratégia de tratamento para pacientes que sofrem da Doença de Creutzfeldt-Jakob, mais conhecida como Vaca Louca.

Causada por uma proteína chamada príon, essa doença neurodegenerativa é extremamente fatal e não possui tratamento, por enquanto.

Embora seja bastante rara, a Doença da Vaca Louca geralmente causa rápida neurodegeneração, decorrente da interrupção da estrutura da proteína príon humana, que leva à aglomeração de compostos tóxicos no cérebro.

Como a príon é fundamental para a doença, reduzir os níveis dessa proteína em pacientes com a Doença de Creutzfeldt-Jakob torna-se uma abordagem terapêutica promissora.

Pesquisadora com risco de Vaca Louca

Uma das autoras do estudo recém-publicado, Sonia Vallabh, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, antes de virar cientista, descobriu que carregava uma forma mutante da proteína príon.

Ao lado de outros pesquisadores, ela observou que alguns oligonucleotídeos (pedaços do DNA) antisense são capazes de reduzir os níveis de proteína príon e estender a sobrevivência de animais infectados.

Segundo os pesquisadores relatam no artigo, embora esses dados iniciais fossem promissores, muitas questões críticas permaneceram antes que o desenvolvimento terapêutico pudesse ser possível.

No novo trabalho, usando um conjunto expandido de oligonucleotídeos antisense direcionados à proteína príon, os autores estabeleceram a base para o total desenvolvimento clínico da terapia.

Redução do número de príons

Os cientistas conseguiram provar que a redução dos níveis da proteína príon pode triplicar a sobrevivência de animais infectados pela Doença da Vaca Louca.

No estudo, mesmo a pouca diminuição dos níveis da príon, o que supostamente é mais fácil de obter clinicamente, revelou benefícios de sobrevida significativos nas cobaias.

Ainda melhor, a redução da proteína príon é eficaz antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

Eles também demonstram, pela primeira vez, que uma única dose dessa terapia inovadora pode reverter os marcadores da doença, mesmo após que aglomerados tóxicos já tenham se formado no cérebro.

“Embora ainda haja muitos passos à frente, os dados nos dão otimismo de que, ao apontar diretamente para o núcleo genético das doenças de príon, drogas geneticamente direcionadas projetadas para reduzir os níveis dessa proteína no cérebro podem ser eficazes”, comenta Sonia Vallabh, entrevistada pelo site Medical Xpress.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.