Humanos poderiam viver em tubos de lava em Marte

Segundo um cientista americano, os grandes tubos subterrâneos formados por antigos fluxos de lava do Planeta Vermelho serviriam de abrigo para astronautas contra a radiação cósmica

Tubo de lava em Marte

Os tubos de lava formados por antigos vulcões de Marte poderão servir de abrigo para futuras missões tripuladas (Foto: Nasa/JPL-Caltech/University Of Arizona/Divulgação)

Não é novidade que a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) vem pesquisando há anos as possibilidades de sobrevivência de humanos em Marte.

Agora, uma pesquisa americana sugere o uso de uma rede de grandes túneis subterrâneos formados por antigos vulcões do Planeta Vermelho. Esses tubos de lava, como são conhecidos, permaneceram depois que o fluxo rápido de lava queimou o solo marciano.

Na Terra, os tubos de lava são bem menores devido ao peso da atmosfera. Se fossem grandes como os de Marte, desabariam pelo efeito da nossa gravidade.

Vivendo no subterrâneo

Além de praticamente não ter atmosfera, o Planeta Vermelho recebe uma enxurrada de raios cósmicos, vindos principalmente do Sol, o que reduz as chances de sobrevivência de futuras missões tripuladas enviadas pela Nasa ou outra agência espacial – incluindo a SpaceX do bilionário sul-africano Elon Musk.

Mas como ter certeza de que os tubos de lava de Marte podem proteger os astronautas? Isso é complicado, mas foi explicado pelo astrofísico americano Antonio Paris, em estudo publicado no final de 2019 no periódico científico Journal of The Washington Academy of Sciences.

Paris e sua equipe realizaram a identificação dos tubos de lava e a avaliação de sua habitabilidade.

Segundo o artigo, o astrofísico escolheu uma região específica de Marte, chamada Hellas Planitia – ou “planície grega” – como zona-chave de sobrevivência. Esse local possui como característica principal a menor incidência de radiação cósmica e abrigar seres humanos em tubos de lava profundos poderia reduzir ainda mais a exposição aos raios perigosos.

Tubos de lava localizados na Hellas Planitia, em Marte, recebem menor quantidade de raios cósmicos (Foto: Nasa/JPL-Caltech/University Of Arizona/Divulgação)

Medindo a radiação nos tubos de lava

Após escolher o local ideal para sobreviver em Marte, o estudo liderado por Antonio Paris ainda precisava calcular os níveis de radiação dentro e fora dos tubos de lava. Para tanto, foram realizados experimentos em estruturas parecidas presentes na Terra.

“Para complementar a investigação, realizamos 30 experimentos de monitoramento de radiação em tubos de lava localizados em três pontos dos Estados Unidos: Mojave, na Califórnia; El Malpais, no Novo México; e Flagstaff, no Arizona”, revela o cientista no artigo.

Ao medir os níveis de radiação externos e “internos”, Paris desenvolveu uma noção geral de quanto a estrutura do tubo de lava reduz a exposição a essa perigosa radiação. A partir daí, foi preciso apenas realizar cálculos matemáticos para traduzir os dados para o ambiente marciano.

“Os tubos de lava escolhidos podem servir como locais importantes para observação direta e estudo da geologia e geomorfologia de Marte, bem como potencialmente revelar qualquer evidência para o desenvolvimento da vida microbiana no início da história natural do Planeta Vermelho”, afirma o astrofísico americano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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