Reino Unido não recomenda aspirina, paracetamol e ibuprofeno para dor crônica

Uma diretriz de saúde recém-divulgada pelo governo britânico afirma que muitos analgésicos e anti-inflamatórios não melhoram a condição da dor crônica primária

Comprimidos

Anti-inflamatórios e analgésicos, como aspirina e paracetamol, não são recomendados para tratar dor crônica, diz governo britânico (Foto: Pixabay)

No dia 3 de agosto, o Instituto Nacional para Saúde e Cuidados de Excelência (NICE, na sigla em inglês), vinculado ao departamento de saúde do Reino Unido, publicou uma diretriz recomendando que pessoas com dor crônica do tipo primária (ocorre em uma ou mais partes do corpo) não devem consumir analgésicos e anti-inflamatórios como aspirina, paracetamol e ibuprofeno.

Como se sabe, a dor crônica primária não está vinculada a nenhuma outra condição conhecida e, portanto, não pode ser explicada facilmente por meio de diagnóstico.

Ela é caracterizada por sofrimento emocional significativo e incapacidade funcional. Exemplos incluem dor crônica generalizada e dor musculoesquelética crônica, bem como condições como dor pélvica crônica.

Diretriz polêmica de saúde

“O esboço da nova diretriz enfatiza a importância de colocar o paciente no centro de seus cuidados e de promover um relacionamento colaborativo e de apoio com o profissional de saúde. Também destaca o papel da boa comunicação e seu impacto na experiência de cuidar de pessoas com dor crônica”, diz o NICE em texto publicado em seu site oficial.

A diretriz recém-publicada recomenda que alguns antidepressivos possam ser considerados para pessoas com dor crônica primária, ao contrário de medicamentos como paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (como aspirina e ibuprofeno), benzodiazepínicos ou opioides.

“Isso ocorre porque, embora haja pouca ou nenhuma evidência de que eles façam alguma diferença na qualidade de vida, na dor ou no sofrimento psicológico das pessoas, há evidências de que podem causar danos, incluindo possível dependência”, alerta o Instituto Nacional para Saúde e Cuidados de Excelência do Reino Unido.

Difícil tratamento

A nova diretriz também não recomenda drogas antiepilépticas, incluindo gabapentinoides, anestésicos locais, cetamina, corticosteroides e antipsicóticos para tratamento da dor crônica primária.

“Novamente, isso ocorre porque há pouca ou nenhuma evidência de que esses tratamentos funcionem, mas podem gerar possíveis danos ao paciente”, completa a instituição britânica de saúde.

O NICE indica a prática da acupuntura como opção para algumas pessoas com dor crônica primária, desde que sejam feitos conforme entendimento do médico.

“Muitas vezes, a dor crônica é difícil de tratar e pode ter um impacto significativo nos indivíduos, suas famílias e prestadores de cuidados. As estimativas sugerem que a dor crônica pode afetar entre um terço e metade da população. Muitas delas têm diagnóstico de depressão e dois terços das pessoas não conseguem trabalhar por causa disso”, revela o NICE em seu site.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.