Fim do uso excessivo de agrotóxico nas plantações?

Cientistas russos criam alternativa sustentável e de efeito prolongado para uso de pesticida na agricultura

Aplicando pesticida na plantação

Rússia cria método capaz de liberar pesticida de forma gradual, sem afetar frutos, plantas e o meio ambiente (Foto: Pixabay)

Um estudo realizado na Universidade Federal da Sibéria, na Rússia, criou um método único para proteger as plantações contra as pragas. Segundo os cientistas, o novo produto permitirá abandonar a pulverização de pesticidas, método considerado caro e poluidor.

Atualmente, os agricultores protegem as culturas por meio do tratamento das sementes, do solo e das próprias plantas com produtos químicos, que são aplicados várias vezes no ano.

Já o novo produto é colocado no solo apenas antes da semeadura e seu efeito dura todo o período vegetativo, de acordo com o artigo publicado no periódico científico International Journal of Biological Macromolecules em julho.

Como funciona o novo “pesticida”

O método criado pelos cientistas russos tem como base um polímero que se decompõe no solo a uma taxa predeterminada, liberando gradualmente a substância ativa, o que garante um regime adequado de proteção das plantas.

“O polímero biodegradável que desenvolvemos é completamente inofensivo ao solo. Selecionamos aditivos ecológicos, baratos e quimicamente neutros para fornecer a massa e o tempo de decomposição necessários: serragem de argila, turfa e bétula”, afirma a pesquisadora Tatyana Volova, uma das autoras do estudo, em entrevista para a agência estatal russa Sputnik.

Como explica a especialista, a substância ativa é liberada em mini-doses, para que as toxinas que matam fungos e ervas daninhas não atinjam frutas e partes verdes da planta.

“Existem desvantagens óbvias nos métodos tradicionais de proteção de culturas. Os produtos químicos que precisam ser pulverizados várias vezes no ano são levados pela chuva ou pelo vento, o que é perigoso para o meio ambiente: nos últimos cinco anos, a população de abelhas, incluindo as domésticas, diminuíram quase a metade nas regiões agrícolas devido ao uso descontrolado de pesticidas”, comenta o pesquisador Evgeny Kiselev, co-autor do estudo, também em entrevista à Sputnik.

Conforme o cientista, o novo polímero já passou por testes de laboratório, estando nos padrões de segurança exigidos pelas autoridades sanitárias, e as toxinas usadas provaram ser eficazes contra ervas daninhas e até contra o fungo que mais afeta os cereais: o fusarium.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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