Dieta sirtfood feita pela cantora Adele funciona?

Especialista fala sobre o consumo de alimentos que ativam as proteínas chamadas sirtuínas e levam à possível perda de peso

Adele - Antes e Depois

Cantora britânica Adele perdeu cerca de 45 kg ao fazer a dieta sirtfood (Fotos: Instagram/Adele/Reprodução)

Quando a cantora britânica Adele, de 32 anos, apareceu bem mais magra no início de 2020, todos queriam saber como ela perdeu tanto peso. Segundo a artista, 45 kg foram queimados por meio da dieta chamada sirtfood.

Esse programa alimentar surgiu em 2016 por meio de um livro publicado pelos pesquisadores em nutrição Aidan Goggins e Glen Matten, do Reino Unido, que afirmavam na obra ser possível emagrecer “sete quilos em sete dias”.

Ciência por trás da sirtfood

Segundo a nutricionista canadense Novella Lui, em artigo publicado no jornal South China Morning Post no dia 2 de agosto, a dieta sirtfood se baseia na ideia de que as sirtuínas, um grupo de proteínas que atuam em várias funções do organismo, incluindo metabolismo e antienvelhecimento, ajudariam a ativar o gene SIRT1, também conhecido como “gene magro”.

Para alcançar a perda de peso, como esclarece a especialista, o “gene magro” precisa ser ativado por meio de alimentos e bebidas com alto índice de ativadores de sirtuína.

“A lista inclui vinho tinto, cacau, folhas verdes, mirtilo, morango, levístico [vegetal parecido com salsão] trigo sarraceno, chá verde, açafrão, cebola, salsa e azeite”, afirma Lui no artigo.

Além disso, conforme a dieta sirtfood, esses alimentos precisam ser consumidos em duas fases, durante um período de três semanas, sendo a primeira etapa em sete dias, separada em duas “sub-fases”.

“Nos três primeiros dias da fase um, consome-se não mais que mil calorias por dia: três sucos verdes feitos com levístico, chá verde e/ou trigo sarraceno e uma refeição com alimentos sirtfoods. Nos quatro dias restantes, devem ser ingeridas mais de 1.500 calorias: dois sucos verdes e duas refeições ricas em sirtfood por dia”, revela a nutricionista canadense.

A fase dois envolve um período de manutenção de 14 dias em que se consome três refeições ricas em sirtfood com um suco verde diariamente.

Uma vez concluída a dieta de três semanas, pode-se repetir o ciclo para perder mais peso, se assim desejar.

Frutas vermelhas, especialmente mirtilo e morango, são indicadas na dieta das sirtuínas (Foto: Pexels)
Frutas vermelhas, especialmente mirtilo e morango, são indicadas na dieta das sirtuínas (Foto: Pexels)

A sirtfood funciona?

Novella Liu deixa claro que a perda de peso prometida pelo plano alimentar criado por Aidan Goggins e Glen Matten parece irrealista.

“Independentemente do tipo de dieta a se seguir, a perda de peso é inevitável quando se gasta mais energia do que consume. Ou seja, o corpo está em estado de déficit de energia quando é submetido a uma dieta restritiva e de baixa caloria”, diz a especialista no artigo recém-publicado.

Ainda de acordo com a nutricionista, a perda de peso também é esperada quando se come apenas certos tipos de alimentos. “Os sirtfoods permitidos e consumidos durante o programa geralmente são baixos em calorias. Com sucos verdes e escolhas limitadas de alimentos, essa dieta é um pouco melhor do que uma desintoxicação, mas está longe de ser um programa saudável de perda de peso”, alerta Liu.

O problema é que a sirtfood também falharia ao não promover um plano de gerenciamento de peso sustentável a longo prazo. “Infelizmente, repetir as duas fases para promover mais perda de peso, como sugerido, apenas cria uma para o fracasso, o que poderia levar a uma alimentação mais restritiva e possivelmente a um estresse emocional. Estes juntos podem causar compulsão alimentar e a recuperação de todo o peso perdido”, afirma a especialista.

O recomendado pela nutricionista é que a perda de peso seja gradual, de apenas 500 gramas a um quilo por semana, por meio de exercícios físicos e ingestão de uma variedade de alimentos saudáveis e minimamente processados, como verduras e legumes, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.