Sistema Solar não tem mais planetas habitáveis por causa de Júpiter

Estudo analisa probabilidade de surgimento de vida em sistemas solares parecidos com o nosso e o tamanho dos planetas faz toda diferença

Universo com nebulosa

Segundo estudo, sistemas solares parecidos com o nosso e contendo seis planetas poderiam ter vida alienígena (Foto: Pixabay

Outros sistemas solares podem abrigar um grande número de planetas com vida alienígena, segundo um novo estudo.

A pesquisa sugere que algumas partes do universo poderiam ter inúmeros planetas habitáveis, ao contrário do nosso sistema solar, onde apenas um dos mundos tem as condições certas para a vida prosperar.

Os cientistas que buscam regularmente pela vida “extraterrestre” direcionam a atenção para planetas situados na chamada “zona habitável”, ou seja, estão suficientemente distantes da estrela para que a água não se evapore imediatamente e perto o suficiente para não congelar.

Possibilidade de vida alienígena

O estudo, realizado pela Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos, e publicado nesta sexta, dia 31 de julho, no periódico científico The Astronomical Journal, surgiu após observação de um sistema planetário famoso e relativamente próximo – conhecido como Trappist-1 – que possui pelo menos três planetas em sua zona habitável.

“Isso me fez pensar sobre o número máximo de planetas habitáveis que uma estrela pode ter e qual o motivo de nosso sol só ter um. Não parecia justo!”, comenta o astrobiólogo Stephen Kane, coordenador da pesquisa, em entrevista para o jornal britânico The Independent.

Para entender quantos planetas habitáveis um sistema solar pode suportar, os cientistas americanos criaram um modelo que lhes permite simular (inclusive com intervalos de milhões de anos) planetas de tamanhos diferentes orbitando suas estrelas.

Eles descobriram que uma estrela como o nosso sol poderia suportar até seis planetas, cada um com água líquida e as devidas condições para suportar vida. Outros tipos de estrelas poderiam suportar até sete.

Acima desse valor, de acordo com o estudo, os planetas se aproximariam muito, perturbando suas órbitas.

Por que só a Terra?

A pesquisa liderada por Stephen Kane também ajudou a esclarecer o motivo pelo qual nosso sistema solar possui apenas um planeta habitável e quais condições mudariam esse cenário.

Parte do nosso “problema” seria devido às órbitas ovais em torno do sol. Se a trajetória fosse mais regular e circular, eles minimizariam o contato (interação gravitacional) para que pudessem ter órbitas mais estáveis.

Júpiter também pode merecer parte da culpa por tornar nosso sistema solar tão inabitável.

Nosso vizinho gasoso é tão grande – duas vezes e meia a massa do resto dos planetas do sistema solar combinados – que monopoliza o espaço e perturba tudo ao seu redor, sugere o estudo.

“Isso causa um efeito importante na habitabilidade do nosso sistema solar, porque é um planeta massivo que perturba outras órbitas”, afirma Stephen Kane ao The Independent.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.