Vitamina D ajuda a prevenir e tratar a covid-19?

Estudo alemão associa os níveis de colecalciferol no organismo a doenças pré-existentes e a casos graves de covid-19

Vitamina D

Existe relação entre o consumo de vitamina D e o tratamento da covid-19? (Foto: Pixabay)

Vem circulando nas redes sociais a informação de que o consumo de vitamina D (colecalciferol) ajuda na prevenção e tratamento da covid-19, provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

É sabido que esse nutriente tem importante papel em nosso organismo, especialmente em ralação à fortificação dos ossos. A deficiência do composto pode causar raquitismo em bebês e crianças.

Mas até que ponto a vitamina D ajuda no combate ao micro-organismo responsável pela pandemia e por nossa quarentena?

Colecalciferol e covid-19

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciências Nutricionais da Universidade Hohenheim, em Stuttgart, na Alemanha, publicada no dia 7 de junho no periódico científico NFS Journal, estabeleceu uma conexão entre a deficiência de vitamina D, comorbidades (doenças pré-existentes) e casos mais graves de covid-19.

“Suprimento inadequado de vitamina D gera uma variedade de efeitos esqueléticos e não esqueléticos. Há evidência de que várias doenças não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e síndrome metabólica, estão associadas a baixos níveis plasmáticos de vitamina D. Essas comorbidades, juntamente com a deficiência concomitante de vitamina D, aumentam o risco de eventos graves de covid-19”, afirmam os cientistas alemães no artigo recém-publicado.

Eles lembram que é preciso estar atento à importância desse nutriente para o desenvolvimento e o curso da doença causada pelo coronavírus.

“Particularmente nos métodos usados ​​para controlar a pandemia, a síntese natural de vitamina D da pele é reduzida quando as pessoas têm poucas oportunidades de serem expostas ao sol. As meias-vidas curtas da vitamina, portanto, tornam mais provável uma crescente deficiência de vitamina D. Aconselhamento dietético específico, suplementação moderada ou alimentos enriquecidos podem ajudar a prevenir essa deficiência”, orientam os pesquisadores.

Vale dizer que a colecalciferol é sintetizada naturalmente em nosso organismo quando somos expostos à radiação ultravioleta emitida pelo nosso sol. A estimativa é de que de 10% a 20% de nossa sejam conseguidos por meio dos alimentos.

Suplemento de vitamina D

De acordo com o endocrinologista alemão Martin Fassnacht, do Hospital Universitário de Würzburg, em entrevista para a emissora estatal alemã Deutsche Welle, o estudo divulgado recentemente é “uma mera observação de que esses eventos [deficiência de vitamina D e covid-19] ocorrem juntos”.

O médico critica a busca frenética por esse nutriente em forma de suplemento, reforçada pelas mensagens divulgadas nas redes sociais, especialmente Facebook e WhatsApp.

Fassnacht não nega o importante papel da vitamina D em nosso organismo, mas lembra que, até agora, estudos em humanos não foram capazes de mostrar que ela tem “poder de cura” como vem sendo propagado.

“Por definição, esses estudos não podem provar a relação causal, mas apenas apontam para meras correlações. Imagine dois grupos de pessoas de 80 anos. Um grupo é alegre, ativo e pratica esportes. Se você compará-los com o outro grupo na casa de repouso, a diferença nos níveis de vitamina D será dramática”, diz o endocrinologista à Deutsche Welle.

Faltam evidências físicas

Ainda segundo o especialista, nenhum dos estudos realizados até o momento, nos quais o efeito da administração de colecalciferol foi associado a várias doenças, conseguiu confirmar os estudos anteriores de associação e de laboratório que alegavam um suposto efeito positivo da vitamina D.

O artigo publicado pela Universidade de Hohenheim recomenda que “se houver suspeita de infecção pelo coronavírus, o nível de vitamina D deve ser verificado e um possível déficit, sanado rapidamente”.

“Estão sendo realizados estudos para verificar se o nutriente ajuda em relação à infecção por covid-19, mas pessoalmente eu não acredito que isso ocorra”, comenta Martin Fassnacht à emissora alemã.

(com Deutsche Welle)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments