Cientistas estudam anomalia no campo magnético da Terra

Muitos acreditam que enfraquecimento magnético no sul do oceano Atlântico poderia indicar uma reversão dos polos

Terra

Anomalia encontrada no campo magnético da Terra pode indicar uma reversão dos polos? (Foto: Freepik)

O chamado núcleo externo líquido da Terra é responsável pela formação do campo magnético do planeta, que nos protege da radiação nociva do sol.

O magnetismo terrestre muda com o tempo e também se comporta de maneira distinta em diferentes partes do mundo.

Para quem não sabe, os polos norte e sul magnéticos têm posição diferente do norte e sul geográfico e podem trocar de lugar. Isso é chamado de reversão e aconteceu pela última vez há 780 mil anos.

Anomalia do campo magnético

“Entre a América do Sul e o sul da África, existe uma região magnética enigmática chamada Anomalia do Atlântico Sul, onde o campo é muito mais fraco do que se espera”, diz a geóloga Yael Annemiek Engbers, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, em artigo publicado no dia 20 de julho no portal The Conversation.

De acordo com a cientista, a crença é de que campos fracos e instáveis ​​precedem reversões magnéticas.

Portanto, alguns estudiosos acreditam que a Anomalia do Atlântico Sul pode ser uma evidência de que estamos prestes a ter os polos magnéticos revertidos.

Estudando a região da anomalia

Juntamente com Andrew J. Biggin e Richard K. Bono, também da Universidade de Liverpool, Yael Annemiek Engbers foi investigar a anomalia na ilha de Santa Helena, que fica na costa da África.

O resultado desse estudo foi publicado na revista científica Proceedings da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Como se sabe, falhas no campo magnético da Terra nos tornam mais propensos a sofrer danos decorrentes das tempestades solares. Equipamentos elerônicos são as principais vítimas.

“O campo magnético da Anomalia do Atlântico Sul já é tão fraco que pode afetar satélites quando eles passam por ele. Acreditamos que a estranha região esteja relacionada a um trecho de campo magnético que aponta para uma direção diferente do restante”, comenta a geóloga no artigo recém-publicado na internet.

Imagem mostra o campo magnético da Terra com a anomalia (contorno preto) entre a África e a América do Sul (Foto: Richard K. Bono/University of Liverpool/Divulgação)

“Janela” para o interior da Terra

Então, o que poderia explicar a estranha região magnética? Segundo a pesquisa britânica, o núcleo externo líquido, que se move em alta velocidade, interage com o manto, camada que fica abaixo da superfície do planeta e se move muito mais devagar.

“Debaixo da África, há uma característica distinta no manto. Isso possivelmente causa uma interação diferente com o núcleo externo naquele local específico, o que poderia explicar o estranho comportamento do campo magnético no Atlântico Sul”, esclarece Yael Annemiek Engbers.

Outro aspecto diz respeito ao núcleo interno da Terra, que corresponde a uma bola sólida do tamanho de Plutão. Ele vem crescendo lentamente, mas não na mesma proporção em todos os lugares.

“Ele pode estar crescendo mais rápido de um lado, causando um fluxo dentro do núcleo externo que está atingindo a fronteira externa com o manto logo abaixo do Atlântico Sul. Isso causaria um comportamento irregular do campo magnético como encontramos em Santa Helena”, afirma a cientista.

Ainda assim, como mostra o estudo da Universidade de Liverpool, o comportamento irregular observado no Atlântico Sul existe há milhões de anos e é provavelmente o resultado de interações geofísicas no interior da Terra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.